Artigo recém-publicado na revista científica Frontiers in Digital Health analisa como tutores de cães e gatos no Rio de Janeiro acessam informações em saúde, o nível de conhecimento sobre zoonoses e o potencial das ferramentas digitais como estratégia de educação em saúde na perspectiva da Saúde Única (One Health). O estudo tem entre os autores a pesquisadora Mirian Miranda Cohen, do Centro de Estudos Estratégicos (CEE-Fiocruz), e é resultado de parceria com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).
Intitulado Digital engagement and knowledge about zoonoses among dog and cat owners in Rio de Janeiro: a cross-sectional study, o trabalho foi desenvolvido como produto do Mestrado Profissional em Pesquisa Clínica do INI/Fiocruz e contou com a participação de 166 tutores de cães e gatos atendidos em uma clínica veterinária pública de referência da Fiocruz e em serviços veterinários privados da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A investigação traz a abordagem da Saúde Única, que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, e destaca o papel central da população na prevenção de doenças zoonóticas, aquelas transmitidas entre animais e seres humanos. De acordo com a pesquisa, compreender como os tutores de animais buscam informação e constroem conhecimento é considerado estratégico para o controle de doenças infecciosas emergentes.
O levantamento aponta que o telefone celular é o principal meio de acesso à internet, utilizado, sobretudo, para redes sociais e buscas relacionadas à saúde dos animais. Embora mais de 70% dos tutores pesquisem online sobre doenças, tratamentos ou serviços veterinários, apenas cerca de 20% utilizam aplicativos específicos para cuidados com pets. Ainda assim, 97% dos participantes consideraram relevante o desenvolvimento de um aplicativo educativo, voltado à prevenção de doenças, identificação de sinais clínicos e promoção da posse responsável.
Segundo o estudo, ferramentas digitais, especialmente aplicativos móveis, apresentam alto potencial para apoiar estratégias de educação em saúde pública, desde que baseadas em evidências científicas, alinhadas à abordagem de Saúde Única e respeitando o papel exclusivo dos profissionais veterinários no diagnóstico e tratamento. Os autores ressaltam que iniciativas desse tipo podem fortalecer a prevenção de zoonoses, ampliar o acesso à informação qualificada e contribuir para políticas públicas integradas entre saúde humana, animal e ambiental.