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SUS, Saúde e Cidadania

Estudo aponta avanços na saúde brasileira, mas alerta para persistência de desigualdades e desafios das doenças crônicas 



POR Andréa Vilhena

PUBLICADO 01/07/2026

O Brasil registrou importantes avanços nos indicadores de saúde nas últimas três décadas, com redução das taxas de mortalidade e da carga de doenças na população. Apesar desse cenário positivo, persistem desigualdades regionais e cresce o peso das doenças crônicas não transmissíveis, dos transtornos mentais e de fatores de risco relacionados aos modos de vida. As conclusões fazem parte do CEE One-Pager Carga de doenças no Brasil: tendências e desafios, elaborado pela pesquisadora Deborah Carvalho Malta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora convidada do CEE-Fiocruz. 

O estudo analisou dados do Global Burden of Disease Study (GBD) 2023, abrangendo o período entre 1990 e 2023. Os resultados mostram que, embora o número absoluto de mortes tenha aumentado em razão das transformações demográficas, as taxas padronizadas de mortalidade caíram 34,5% no período, enquanto os Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs), indicador que mensura a carga global de doenças, apresentaram redução de 29,5%. 

Segundo a análise, os avanços observados estão associados a conquistas importantes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo de seus 35 anos de existência, entre elas a expansão da atenção primária, o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, a ampliação da assistência farmacêutica, as políticas de controle do tabagismo e o êxito do Programa Nacional de Imunizações. 

Ao mesmo tempo, o país passou por profundas transições demográfica, nutricional e epidemiológica. A queda da fecundidade, o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional alteraram o perfil de adoecimento e mortalidade. Houve redução da desnutrição, mas crescimento do excesso de peso e da obesidade, além da diminuição das doenças transmissíveis e do aumento da carga das doenças crônicas não transmissíveis e das violências. 

As doenças crônicas não transmissíveis permaneceram como a principal causa de morte em todo o período analisado, com destaque para as doenças isquêmicas do coração e as doenças cerebrovasculares. Também foram identificados aumentos nas taxas de mortalidade por doença de Alzheimer e outras demências. Entre as principais causas de incapacidade destacaram-se os transtornos de ansiedade, a dor lombar e os transtornos depressivos. 

O estudo ainda evidencia que os principais fatores de risco associados à mortalidade são de natureza metabólica, como pressão arterial elevada, glicemia elevada e excesso de peso, além de fatores comportamentais, especialmente padrões alimentares inadequados e tabagismo. As regiões Norte e Nordeste apresentaram reduções menores nas taxas de mortalidade, indicando a persistência de importantes desigualdades em saúde no país. 

Diante desse cenário, o documento defende o fortalecimento de políticas de promoção da saúde e redução das iniquidades, o avanço de medidas regulatórias relacionadas ao tabaco, álcool e alimentos ultraprocessados e a valorização da democracia, da ciência e das evidências como condições essenciais para a produção de melhores resultados em saúde. 

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