O grupo de pesquisa “Doenças Crônicas e Sistemas de Saúde – Futuro das Tecnologias de Diagnóstico e Tratamento do Câncer (FTDTD)”, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, divulgou nota técnica sobre o Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer, iniciativa coordenada pela International Agency for Research on Cancer, agência especializada em câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O documento apresenta as 17 recomendações do Código, elaboradas com base em evidências científicas para reduzir o risco de câncer na América Latina e no Caribe. As orientações envolvem ações de prevenção relacionadas ao tabagismo, alimentação, atividade física, vacinação, rastreamento e redução da exposição a fatores ambientais e infecciosos associados à doença.
Além de sistematizar as principais diretrizes do Código, a nota técnica analisa os desafios e avanços do Brasil na implementação dessas recomendações. O texto destaca experiências já consolidadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), como as políticas de controle do tabaco, a vacinação contra HPV e Hepatite B e a rotulagem nutricional de alimentos ultraprocessados. Também aponta áreas em que o país ainda enfrenta dificuldades, como o rastreamento organizado do câncer colorretal, o enfrentamento ao consumo de álcool e a ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento de infecções relacionadas ao câncer.
Segundo a nota, até 40% dos casos de câncer podem ser prevenidos por meio de políticas públicas e mudanças nos modos de vida. O Código Latino-Americano e Caribenho contra o Câncer busca justamente apoiar governos, sistemas de saúde e a sociedade civil na construção de estratégias integradas de prevenção primária e detecção precoce.
A importância da adoção do Código na região foi destacada por Elisabete Weiderpass durante o seminário internacional promovido pelo grupo FTDTD, em novembro de 2025. Na ocasião, a pesquisadora conclamou os países latino-americanos e caribenhos a incorporarem as recomendações como parte das políticas nacionais de prevenção e controle do câncer.
O seminário também fortaleceu a aproximação institucional entre a Fiocruz e a International Agency for Research on Cancer. Como um dos desdobramentos do encontro, as duas instituições assinaram, na semana passada (21/5), um memorando de entendimento para cooperação técnica no cuidado oncológico envolvendo as áreas de pesquisa, ensino, desenvolvimento tecnológico, comunicação e formulação de políticas.
A iniciativa, com vigência inicial de cinco anos, define as bases para a construção de uma agenda conjunta voltada ao fortalecimento da vigilância, prevenção e controle do câncer, em alinhamento com as prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS) e com as diretrizes globais da Organização Mundial da Saúde.
Acesse a íntegra da nota técnica e as 17 recomendações do Código clicando na imagem abaixo ou na plataforma oficial do código.
