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SUS, Saúde e Cidadania

Nova edição da série ECOS discute desafios da Atenção Primária no controle do câncer no Brasil



POR Andréa Vilhena

PUBLICADO 01/07/2026

A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica no enfrentamento do câncer no Brasil, mas ainda convive com obstáculos estruturais que comprometem sua capacidade de prevenir, identificar precocemente e coordenar o cuidado dos pacientes oncológicos. Essa é a principal conclusão da terceira edição da série ECOS, lançada pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz Antonio Ivo de Carvalho (CEE-Fiocruz). 

O documento sistematiza os debates da mesa “Desafios da Atenção Primária à Saúde (APS) no Controle do Câncer: fundamentos e horizontes”, realizada durante o seminário Controle do Câncer no Século XXI: Desafios Globais e Soluções Locais, promovido pelo CEE-Fiocruz em novembro de 2025. A publicação reúne reflexões sobre as potencialidades e as contradições que marcam o papel da APS no cuidado oncológico e aponta caminhos para transformar a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) em um eixo mais eficiente de prevenção e diagnóstico precoce. 

Entre os desafios destacados estão o aumento da mortalidade por câncer no país, as profundas desigualdades regionais e as dificuldades de acesso ao diagnóstico e ao tratamento. O documento ressalta que, embora a maior parte dos óbitos esteja concentrada nas regiões Sul e Sudeste, os custos de tratamento são proporcionalmente mais elevados no Nordeste em razão dos diagnósticos tardios. Também chama atenção para a persistência de gargalos na realização de exames e para a baixa cobertura de ações preventivas, como a vacinação contra o HPV. 

A publicação defende a transição do modelo de rastreamento oportunístico para um rastreamento organizado, baseado em listas nominais e busca ativa da população-alvo, com participação decisiva dos Agentes Comunitários de Saúde. Outro eixo central da discussão é a necessidade de integrar sistemas de informação e ampliar o uso de tecnologias digitais, incluindo ferramentas de inteligência artificial, para reduzir a fragmentação do cuidado, agilizar diagnósticos e apoiar a tomada de decisão nos serviços de saúde. 

A nova edição da série ECOS também destaca que as soluções para o controle do câncer exigem respostas adaptadas às diferentes realidades territoriais do país. Nesse sentido, propõe uma articulação entre governo, ciência e sociedade para fortalecer a APS, implementar políticas de prevenção e controle do câncer orientadas pela equidade e consolidar uma rede de cuidados capaz de responder às necessidades da população em tempo oportuno. 

Para os participantes do seminário, o enfrentamento do câncer no Brasil depende de uma mudança de paradigma: a Atenção Primária precisa deixar de atuar apenas como uma porta de entrada passiva e assumir o papel de sistema ativo de gestão de risco populacional, coordenando o cuidado em todas as etapas e contribuindo para reduzir as desigualdades que ainda marcam o acesso à saúde no país.  

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