Comitiva do Imperial College de Londres e pesquisadores do Laboratório de Resiliência em Saúde Pública (ResiliSUS), do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, foram recebidos no Castelo Mourisco, segunda-feira, 13/4, pela vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), Alda Cruz, representando o presidente Mario Moreira. Os visitantes vieram participar de um workshop, por uma semana, com a equipe do ResiliSUS, em nova ação de cooperação entre o Brasil e o Reino Unido, voltada a compartilhar e disseminar metodologias e experiências que fortaleçam os sistemas de saúde. Estarão em discussão as mudanças climáticas e o fortalecimento de estratégias de formação e avaliação em saúde planetária, voltadas a trabalhadores da Atenção Primária.
Esse é o quarto encontro voltado a compartilhar a experiência do programa dos Agentes Comunitários de Saúde do SUS brasileiro, que vem sendo implementado no National Health System (NHS) inglês. No sistema inglês, esses profissionais são os Community Health and Wellbeing Workers (CHWWs).

“Esse programa tem papel integrador para o CEE, pois criam-se parcerias novas em torno de um projeto comum”, observou Alessandro Jatobá, abrindo o coordenador-adjunto do CEE e líder do ResiliSUS, abrindo o encontro no Castelo. Ele frisou a característica de “aprendizado bilateral” dessa parceria, no campo da atenção primária à saúde. “A tecnologia dos agentes comunitários exportada para o mundo é uma forma de aprendizado para nós no Brasil também”.
Alda Cruz destacou as interfaces entre os sistemas de saúde inglês e brasileiro e a oportunidade de enriquecermos nossas ações. Conforme lembrou, em suas linhas de pesquisa, atuou com os agentes comunitários. “Esse trabalho de formiguinha do SUS nas comunidades é fundamental para a implementação de medidas de saúde pública”, considerou, mencionando sua formação como infectologista.

O deputado britânico Simon Opher, médico clínico geral e liderança parlamentar em Saúde, relatou que, já nos seus primeiros anos de trabalho, observara que os problemas de saúde eram, em grande medida, problemas relacionados a determinantes sociais, tais como moradia, alimentação, saneamento e renda. “Estamos buscando fazer três mudanças no NHS: passar do analógico para o digital; sair do foco nos hospitais para o foco nas comunidades; passar do foco na cura para o foco na prevenção”, relatou Simon, pioneiro no uso da prescrição social – referente a recursos comunitários não clínicos – agora incorporada à política do NHS. “Temos que reduzir a procura por atendimento, e os agentes comunitários ensinam como viver bem, comer bem, como prevenir doenças”.
O coordenador do programa de Agentes Comunitários de Saúde em Londres, Matthew Harris, que desenvolve projetos de cooperação internacional baseados no aprendizado bidirecional entre o NHS e sistemas de saúde de países de baixa e média renda — aí incluído o Brasil –, abordou a importância de aprender reciprocamente, em cooperação. “Esta semana será muito importante; estamos trazendo nossos agentes comunitários e haverá agentes comunitários vindos da Amazônia, criando-se uma oportunidade de compreender como os ACS trabalham no Rio de Janeiro”.
Conforme apontou Matthew, o encontro em Londres com o ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, em outubro de 2025, em missão oficial voltada ao fortalecimento da parceria com o Reino Unido, representava o auge, mas ainda há muitos desdobramentos pela frente. “Estamos a cada dia melhores, aprendendo cada vez mais”.
Connie Junghans-Minton, especialista em saúde pública e liderança em projetos de equidade e modelos comunitários no Reino Unido, reconhecida pela implementação de estratégias inspiradas na Estratégia Saúde da Família do SUS brasileiro, destacou a importância em se trabalhar saúde e mudanças climáticas, lembrando que os agentes comunitários são solução para muitos dos problemas que vêm enfrentando.

Como observou Connie, dengue e chikungunya chegaram ao Reino Unido como consequência das mudanças climáticas. “Nossos problemas estão se tornando globais e o modelo brasileiro é padrão-ouro para o mundo nesse enfrentamento”, considerou.
O encontro contou, ainda, com a participação do secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Rodrigo Prado e do subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde, Renato Cony. “As parcerias com secretarias de Saúde são muito importantes nesse projeto”, observou Jatobá, referindo-se também ao município de Duque de Caxias, que receberá visita da comitiva em uma de suas Unidades Básicas de Saúde (UBS), quinta-feira, 16/4.
“Esse encontro nos dará muito feedback, quanto à forma de organizarmos o trabalho dos agentes comunitários no território, em constante transformação, e vai trazer benefícios mútuos”, pontuou Cony.
Os pesquisadores Hugo Bellas e Jaqueline Viana do projeto ResiliSUS/CEE, organizadores do workshop, também participaram do encontro.
O workshop reunirá agentes comunitários de saúde do Reino Unido e do Brasil, incluindo profissionais que atuam na Amazônia. Durante a semana, os pesquisadores estarão em contato com os pontos de vista e a rotina dos agentes, incluindo visita não só a uma UBS como à casa de um usuário do SUS.