Pesquisador do CEE-Fiocruz destaca dados do INCA e reforça a centralidade da prevenção no controle do câncer – CEE Fiocruz

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Pesquisador do CEE-Fiocruz destaca dados do INCA e reforça a centralidade da prevenção no controle do câncer



POR Andréa Vilhena

PUBLICADO 04/02/2026

Na quarta-feira(4), data em que se celebra o Dia Mundial do Câncer, o médico sanitarista Luiz Antonio Santini, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE/Fiocruz), ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer (INCA)e professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), detacou a consistência e a continuidade do trabalho desenvolvido pelo Instituto ao longo de décadas, especialmente na produção de dados e informações que subsidiam a formulação e a implementação de políticas públicas de saúde. Santini representou o comitê científico do TJCC no evento promovido pelo Inca para o lançamento da publicação Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. “A existência de uma série histórica robusta, permanentemente aperfeiçoada do ponto de vista metodológico e com crescente cobertura dos registros populacionais de câncer, constitui um dos principais ativos da política nacional de controle da doença”, disse o pesquisador, ao ressaltar a importância do trabalho apresentado.

No evento, que contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do secretário de Atenção Especializada à Saúde (SAES/MS),  Mozart Júlio Tabosa Sales;  da secretária estadual de saúde, Claudia Mello e do secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, foram revelados os números atualizados da doença no Brasil, com destaque para os tipos de câncer mais frequentes, as diferenças regionais e os desafios para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Outro ponto sublinhado pelo pesquisador foi o aumento contínuo do número de novos casos de câncer no Brasil, fenômeno que não tem sido acompanhado por uma redução proporcional da mortalidade. De acordo com os dados apresentados, o país deverá registrar mais de 700 mil novos casos, com uma taxa de mortalidade próxima de 50%, variando conforme o tipo de tumor e, sobretudo, segundo as regiões do país. Para Santini, essa distribuição desigual evidencia as iniquidades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, reforçando o câncer como um problema profundamente associado às desigualdades sociais e territoriais.

O pesquisador chamou atenção ainda para o fato de que cerca de metade dos casos de câncer são evitáveis, por meio de ações de prevenção e promoção da saúde. Nesse contexto, citou a redução do tabagismo como um exemplo exitoso de política pública capaz de diminuir a incidência e a mortalidade por câncer de pulmão. Ao mesmo tempo, alertou para novos desafios, como o aumento da obesidade — inclusive na infância —, a alimentação inadequada e a exposição a fatores ambientais e à poluição, que podem impactar negativamente o perfil da doença no país.

Santini avaliou que os dados apresentados pelo INCA convergem com as discussões realizadas no Seminário Internacional de Controle do Câncer no Século XXI, promovido pelo CEE-Fiocruz, em novembro de 2025, ao reforçarem a centralidade da prevenção como eixo estratégico. Nesse sentido, destacou a relevância do Código Latino-Americano contra o Câncer, proposto pela diretora da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), como uma oportunidade de cooperação regional envolvendo o IARC, a Fiocruz e o INCA.

Entre os avanços recentes, o pesquisador mencionou a ampliação do teste diagnóstico para o câncer do colo do útero, a vacinação e medidas regulatórias, como a taxação de produtos nocivos à saúde, incorporadas à reforma tributária. Ressaltou também a expansão expressiva dos registros de câncer no Brasil, que passaram de apenas dois, no início dos anos 2000, para mais de 50 atualmente, todos acreditados pelo IARC, o que assegura a comparabilidade internacional dos dados brasileiros.

Para Santini, a presença de autoridades do Ministério da Saúde, gestores estaduais e municipais no evento reforça a importância do Dia Mundial do Câncer como estratégia de comunicação pública, fundamental para o fortalecimento das políticas de controle da doença. “Há um alinhamento claro entre o diagnóstico da gravidade do problema, as propostas debatidas no campo científico e as ações que vêm sendo implementadas pelo Estado brasileiro”, concluiu.

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