O coordenador adjunto do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), Alessandro Jatobá, à frente do laboratório de pesquisa Tecnologia, Informação e Resiliência em Saúde Pública (ResiliSUS/CEE), participou, no dia 9/10/2025, em Londres, de missão oficial com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltada ao fortalecimento de parceria com o Reino Unido, pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O evento contou também com o pesquisador Matthew Harris, do Imperial College London, parceiro do CEE-Fiocruz, nos estudos sobre resiliência dos sistemas universais. A reunião reforçou a visibilidade internacional do SUS e os avanços da cooperação entre Brasil e Reino Unido.
Durante o encontro, o ministro Padilha recebeu o livro A Resiliência na Saúde Pública, publicação da qual Jatobá é um dos autores. A obra, fruto de pesquisa do CEE-Fiocruz, destaca a importância de sistemas de saúde robustos, adaptáveis e integrados a políticas públicas que promovam qualidade, equidade e justiça social. Também esteve presente Marco Nascimento, vice-presidente adjunto de Produção e Inovação em Saúde, representando a Presidência da Fiocruz.
Segundo Jatobá, a reunião teve caráter estratégico ao consolidar uma nova etapa da cooperação entre as instituições. “Foi uma reunião com um diferencial importante pois teve a presença do Ministério da Saúde, o que trouxe um caráter ainda mais institucional ao projeto. A partir de agora, os compromissos se tornam mais formais e entram de forma mais direta na agenda de implementação de políticas públicas”, avaliou.

Tecnologia brasileira para o NHS britânico
O encontro também marcou o reconhecimento do papel do CEE-Fiocruz como think tank da saúde pública brasileira, capaz de articular evidências e cooperação internacional para influenciar a formulação de políticas. “Tradicionalmente, somos receptores de tecnologia estrangeira, desta vez, estamos exportando uma tecnologia brasileira (o modelo de atenção primária do SUS) que vem inspirando o desenvolvimento do programa de agentes comunitários de saúde no NHS”, afirmou Jatobá.
Ele destacou, ainda, que se trata de um projeto de aprendizado bidirecional. “Apesar das realidades distintas entre Brasil e Reino Unido, há trocas ricas para ambos os lados. Estamos compartilhando experiências que geram evidências sobre a organização da atenção primária, o uso de tecnologias digitais e os processos de referência entre níveis de atenção”, explicou.
Entre os temas discutidos, Jatobá destacou a proposta apresentada pelo ministro Alexandre Padilha de incluir agentes comunitários de saúde do Reino Unido em processos formativos com profissionais brasileiros. Conforme pontuou, ainda, o encontro também abordou a integração entre atenção primária e saúde digital, fortalecendo a parceria com a Secretaria de Saúde Digital do Ministério da Saúde.
“O conceito de resiliência presente no livro também marca a cooperação entre as instituições, e permeou toda a reunião”, relatou o pesquisador. Para Jatobá, o projeto reflete o compromisso com o fortalecimento da resiliência nos sistemas universais de saúde.
“O ministro demonstrou pleno conhecimento sobre a potência da nossa atenção primária e se comprometeu a garantir a continuidade desse projeto”
— Alessandro Jatobá
Para Jatobá, a reunião em Londres evidenciou também um caráter simbólico da cooperação internacional. “O SUS se inspirou no NHS em sua criação, mas hoje é gratificante ver que o sistema brasileiro inspira o futuro do sistema inglês. É uma caminhada de mãos dadas pelo fortalecimento dos sistemas universais de saúde, e o CEE-Fiocruz tem sido o canal dessa cooperação”, concluiu.