A saúde como eixo estratégico do desenvolvimento fluminense foi o principal encaminhamento do debate realizado pelo Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino do Estado do Rio de Janeiro e pela Financiadora de Estudos e Projetos no dia 7, durante o I Seminário “FRIPERJ–FINEP: Soberania, Projeto Nacional e Estado do Rio de Janeiro”.
A mesa dedicada ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e à inovação reuniu José Gomes Temporão (ex-ministro da Saúde e coordenador do Grupo de Pesquisa Doenças Crônicas e Sistemas de Saúde – Futuro das Tecnologias de Diagnóstico e Tratamento do Câncer – FTDTC, do CEE-Fiocruz), Carlos Gadelha (coordenador da Rede CEIS e líder do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sustentável, CT&I e CEIS – GPCEIS/CEE-ENSP/Fiocruz) e o superintendente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Pieroni, sob mediação da reitora da UERJ, Gulnar Azevedo. O evento contou também com a presença de Luiz Antonio Elias, diretor-presidente da Finep, Mauro Osório, membro da organização do evento e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do ex-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich. O debate aprofundou análises e propostas voltadas ao desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro.
Houve consenso entre os participantes quanto à gravidade da crise enfrentada pelo estado, marcada pela desindustrialização. Nesse contexto, Carlos Gadelha destacou que o CEIS ocupa uma posição privilegiada para liderar um projeto de desenvolvimento capaz de reconstruir a base produtiva fluminense, articular indústria e serviços e gerar empregos qualificados.
Diante desse desafio, Gadelha destacou algumas das potencialidades do Rio de Janeiro para a recuperação da base industrial, como o fortalecimento de parcerias entre universidades públicas, institutos nacionais de saúde e setor produtivo. O coordenador ressaltou que a área da saúde responde por 11% dos empregos no estado e valorizou a expressiva concentração de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) de excelência nacional e internacional. “O Rio de Janeiro é o segundo estado federativo em número de doutores (7.068) e mestres (5.607), e as áreas da saúde e das ciências biológicas lideram o esforço científico, com 25% de toda a pesquisa realizada. Isso representa uma grande oportunidade”, afirmou.
Temporão apontou alternativas para avanços em uma agenda propositiva, baseada na formulação de ações concretas e na articulação entre instituições fortes. Defendeu a criação de uma governança própria, com métodos estratégicos, por meio de um pacto fluminense que reúna o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, órgãos estaduais e municipais, além de instituições como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a Finep. Destacou ainda o uso estratégico do poder de compra do Sistema Único de Saúde (SUS), de forma regionalizada, para atender às demandas específicas do território, entre outras iniciativas. Já João Pieroni apresentou investimentos realizados pelo BNDES.
Ao final do debate, houve sugestão de realização de novos fóruns com o objetivo de refletir e articular projetos desenvolvidos em parceria entre universidades, indústria e sociedade, em benefício do desenvolvimento e do bem-estar da população.
Acesse a íntegra do evento aqui: https://www.youtube.com/watch?v=R8GUnIOgCk4