Entre os dias 13 e 17 de abril, pesquisadores do laboratório de Resiliência em Saúde Pública (ResiliSUS), do CEE-Fiocruz, receberão uma comitiva do Imperial College de Londres e da University of West London, especialistas em Atenção Primária do National Health Service (NHS, o sistema de saúde britânico) e representantes do Parlamento britânico. A visita marca um novo passo na cooperação entre Brasil e Reino Unido nas agendas de saúde e clima, como parte das ações previstas no Memorando de Entendimento para Cooperação Internacional, firmado entre as instituições e a Fiocruz. Ao longo da semana, será realizado um workshop voltado a fortalecer estratégias de formação e avaliação em saúde planetária para trabalhadores da Atenção Primária. A comitiva será recebida no dia 13/4 pelo presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
O coordenador adjunto do CEE-Fiocruz, Alessandro Jatobá, líder do Laboratório ResiliSUS, explica que essa nova etapa da colaboração com o Imperial College “abre a possibilidade para ações estratégicas e nos permitirá avançar em temas urgentes, como clima, território e saúde das populações”.
Durante a semana de atividades, as instituições criarão módulos de formação e um marco de avaliação em saúde planetária voltados para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) do Brasil e para os Community Health and Wellbeing Workers (CHWWs) do Reino Unido. A iniciativa parte do entendimento de que, quando adequadamente formados e apoiados, esses profissionais desempenham papel central na promoção da resiliência climática – isto é, a capacidade de ecossistemas anteciparem, absorverem e se recuperarem de impactos das mudanças climáticas.
“Vamos trabalhar os agentes comunitários como atores do clima, capazes de produzir e multiplicar informações sobre os efeitos da mudança climática na saúde das populações”, explica Jatobá.
Integram a comitiva o deputado britânico Simon Opher MBE, médico e liderança parlamentar em Saúde, pioneiro na prescrição social – voltada a recursos comunitários não clínicos, como grupos de caminhada ou arte, por exemplo –, agora incorporada à política nacional do NHS; o coordenador do programa de Agentes Comunitários de Saúde em Londres, Matthew Harris, que há anos desenvolve projetos de cooperação internacional baseados no aprendizado bidirecional entre o NHS e sistemas de saúde de países de baixa e média renda — incluindo o Brasil; a médica Cornelia Junghans-Minton, especialista em saúde pública e liderança em projetos de equidade e modelos comunitários no Reino Unido, reconhecida pela implementação de estratégias inspiradas diretamente na Estratégia Saúde da Família brasileira.
A delegação conta, ainda, com o cientista social Alex Shankland, do Institute of Development Studies da Universidade de Sussex, reconhecido por pesquisas sobre temas como sistemas de saúde, saúde indígena e minoritária, representação política e governança local, com foco especial no Brasil e em Moçambique; e Rowan Myron professora na University of West London e uma referência em mobilização do conhecimento, especialmente na tradução de evidências em prática.
Do lado brasileiro, participarão, além dos pesquisadores do laboratório ResiliSUS, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Rodrigo Prado; o subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde, Renato Cony; e o pesquisador Rodrigo Tobias, da Fiocruz Amazonas, que virá para o evento acompanhado de colegas indígenas que atuam como agentes comunitários de saúde.
A presença dessas lideranças reforça a articulação entre Fiocruz, gestores municipais, Ministério da Saúde e instituições britânicas na construção de uma cooperação com potencial de gerar impactos concretos na formação, avaliação e implementação de práticas de saúde planetária no SUS e no NHS.
A programação da comitiva inglesa inclui visita a uma Unidade Básica de Saúde em Duque de Caxias e o acompanhamento de um dia de trabalho dos agentes comunitários de saúde.
No workshop, o fortalecimento da atuação comunitária em saúde
O workshop que reunirá, ao longo de uma semana, os integrantes da comitiva inglesa e os pesquisadores do CEE-Fiocruz buscarão reunir subsídios para:
- • construir projetos-piloto em territórios do Brasil e do Reino Unido;
- • elaborar módulos formativos voltados aos currículos nacionais de ACS e CHWWs;
- • estruturar métodos de avaliação da eficácia desses profissionais na promoção de ações climáticas e de saúde planetária;
- • produzir artigos, diretrizes e subsídios para políticas nacionais e internacionais que destaquem o papel estratégico desses trabalhadores na interface entre saúde e clima.
Considerando, ainda, que o modelo britânico de Community Health and Wellbeing Workers foi inspirado na Estratégia Saúde da Família do SUS brasileiro, o workshop será uma oportunidade para médicos de família e CHWWs do Reino Unido conhecerem, in loco, o funcionamento da ESF — e para todos aprofundarem aprendizados de forma recíproca.
A programação busca fortalecer o intercâmbio internacional para qualificar a atuação comunitária em saúde, como eixo fundamental da atenção primária e da construção de ambientes mais saudáveis, resilientes e preparados para enfrentar os desafios climáticos emergentes.