O Sistema Único de Saúde (SUS) é o único projeto institucional capaz de enfrentar integralmente os desafios sanitários das próximas décadas, defende o ex-ministro da Saúde e pesquisador do CEE-Fiocruz José Gomes Temporão, no novo CEE One-Pager, Por uma Reforma Sanitária de segunda geração, produzido com seu grupo de pesquisa Doenças Crônicas e Tecnologias de Saúde (DCTS/CEE). O documento baseia-se em um policy paper também fruto do trabalho do grupo.
Os pesquisadores refletem que o Brasil está envelhecendo antes de superar desigualdades estruturais – de renda, raça, gênero, território, trabalho, saneamento e acesso a cuidados. Essa transição demográfica, prosseguem, é acompanhada por uma transição epidemiológica marcada pelo predomínio das doenças crônicas, crescimento das demências, peso dos transtornos mentais, obesidade e persistência das causas externas. Nesse cenário, o
Os documentos, que se referenciam também na exposição de Temporão no seminário Antonio Ivo de Carvalho – Perspectivas da Saúde no Brasil, realizado em 10/6/2026, apontam que SUS reúne as “vantagens estruturais” para lidar com esse momento de transição: universalidade, base territorial, capacidade de saúde pública e possibilidade de integrar cuidado individual e resposta coletiva. E acrescentam: “O mercado privado pode complementar o sistema, mas não tem mandato, escala nem racionalidade para organizar respostas populacionais, territoriais e intersetoriais”.
Para cumprir esse papel, no entanto, o SUS “precisa ganhar musculatura financeira, tecnológica, federativa e assistencial”, enfatizam os autores, propondo uma “Reforma Sanitária de Segunda Geração”, definida como “uma estratégia nacional de longevidade saudável, equitativa e sustentável, tendo o SUS como eixo estruturante, articulada a financiamento público estável, regionalização efetiva, atenção primária forte, cuidados de longa duração, inovação tecnológica e enfrentamento dos determinantes sociais, ambientais e comerciais/econômicos da saúde”.
Como observam Temporão e seus colegas, a primeira geração da Reforma Sanitária afirmou a saúde como direito, criou o SUS e instituiu os princípios da universalidade, integralidade, descentralização e participação social. “A segunda geração deverá reorganizar o sistema. A tarefa central não é apenas ampliar a oferta de serviços, mas produzir mais anos de vida saudável, com autonomia, funcionalidade, proteção social e equidade”, pontuam.
Acesse o one-pager, clicando na imagem abaixo. Acesse o policy paper na íntegra aqui
