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SUS, Saúde e Cidadania

Coordenador do CEE, Rômulo Paes, participa de sessão informativa sobre a Reforma da Arquitetura Global da Saúde



POR Eliane Bardanachvili

PUBLICADO 02/10/2026

O coordenador do CEE-Fiocruz, Romulo Paes de Sousa, presidente da Abrasco, participou nesta sexta-feira, 2/10/2026, da sessão informativa de atualização dos Estados-membros da OMS sobre a Reforma da Arquitetura Global de Saúde (AGS), definida pela Resolução 79 da Assembleia Mundial da Saúde, de maio de 2026.

A sessão trouxe informações relativas ao andamento do programa de trabalho adotado pela Força-Tarefa Global sobre a Reforma da AGS, bem como ao engajamento, representação e atuação da Região das Américas – representada por Brasil e México. Rômulo, que participa pelo Brasil na Força-Tarefa, fez uma exposição ao lado da embaixadora Francisca Elizabeth Méndez Escobar, do México. O evento contou, ainda, com um balanço geral sobre a Reforma, apresentado pela chefe da Secretaria da Força-Tarefa Conjunta, Serina Ng, todos com participação virtual. O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, abriu a sessão presencialmente.

Serina destacou o ritmo “acelerado” do processo e anunciou um plano de trabalho que prevê uma reunião virtual para final de outubro/2026, que levará a outra, presencial, em novembro, na qual será discutida uma versão intermediária do relatório.

Francisca apontou os três pilares em que se fundamenta a reforma – Mandato, Governança e Financiamento – tendo o Brasil e o México participação no primeiro grupo, que busca redefinir e priorizar as funções principais da OMS, direcionando seus esforços para emergências globais de saúde, vigilância epidemiológica e resposta rápida a pandemias, evitando-se dispersão de recursos em questões secundárias. “Precisamos ser muito pragmáticos e saber onde a Opas quer definir suas prioridades nesse esforço gigantesco”, disse.

Rômulo Paes trouxe à reflexão três aspectos que considera centrais: a transformação da governança global, o fortalecimento da capacidade regional de respostas e a necessidade de se construir uma estratégia comum para as Américas. “Estamos perante um processo que envolve a distribuição do poder de decisão sobre recursos financeiros e as capacidades cientifica, tecnológica e produtiva necessárias para proteger a saúde das populações”, observou, indagando: “Como construir uma arquitetura global mais equitativa e capaz de atender as necessidades dos países, menos dependente das prioridades definidas por um numero limitado de atores?”.

Conforme analisou, a região da América Latina e Caribe ocupa “posição complexa” no sistema internacional de cooperação, nem sempre recebendo o apoio necessário para suas vulnerabilidades estruturais, o que ficou evidenciado na pandemia de Covid 19, apontou, defendendo a autonomia sanitária e a cooperação regional como dimensões estratégicas do desenvolvimento e da segurança coletiva.

Sobre o fortalecimento das estruturas regionais, o coordenador do CEE destacou a descentralização da produção, a transferência de tecnologia, o desenvolvimento de capacidades regulatórias, a soberania dos dados de saúde e a criação de mecanismos de financiamento mais flexíveis e previsíveis, questões de interesse global e também prioritári na região das Américas.

Rômulo defendeu, ainda, o fortalecimento de uma plataforma regional de inovação científica e tecnológica que conecte universidades, agências de saúde e sistemas de saúde, para intercambio de conhecimento e projetos conjuntos para produção de vacinas, medicamentos, diagnósticos e tecnologias sanitárias; uma plataforma de compras conjunta, aproveitando os instrumentos da OMS e promovendo articulação entre as políticas industriais, com identificação de capacidades complementares e redução de dependências externas em setores críticos.

Mobilização de recursos nacionais, aporte de bancos multilaterais e instrumentos inovadores para fortalecimento dos istemas de saúde foram também enfatizados. “A construção de capacidades regionais deve estar vinculada ao fortalecimento dos sistemas universais de saúde e a defesa do direito à saúde”, frisou.

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