O one-pager Potencialidades no controle do câncer no Brasil: o desafio urgente de uma visão e ação sistêmica, publicado pelo CEE-Fiocruz a seguir, discute os desafios oncológicos no Brasil, que se mostram cada vez mais complexos e multifatoriais, mesmo com a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC) já em vigor – uma das mais avançadas do mundo. O documento tem como base o Estudo estratégico: Potencialidades no controle do câncer, realizado em 2025, pelo pesquisador Fernando Bessa, integrante do projeto de pesquisa Doenças Crônicas e Sistemas de Saúde – Futuro das Tecnologias de Diagnóstico e Tratamento do Câncer (FTDTC) do CEE. O grupo é coordenado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e pelo ex-diretor do Instituto Nacional de Câncer (Inca) Luiz Antonio Santini, ambos pesquisadores do Centro.
O texto ressalta alguns aspectos do atual cenário da doença no país e, a partir de uma visão sistêmica, apresenta recomendações ao controle da doença no país, enfatizando a percepção de que a incorporação das conquistas do avanço científico e tecnológico relacionado ao câncer vem apontando para a ampliação de iniquidades no SUS, elevação de custos e tensionado a sustentabilidade do sistema.
O autor apresenta uma contextualização do aumento dos casos de câncer no Brasil, situando a doença como uma das principais causas de morte no país. Entre os aspectos destacados estão, por exemplo, as desigualdades regionais no acesso a diagnóstico e tratamento, e, em relação à formação e qualificação profissional, a ausência de uma Política Nacional de Recursos Humanos que articule saúde e educação, assim como a formação ainda desconectada do modelo de atenção do SUS e o desenvolvimento tecnológico em detrimento do cuidado.
Por fim, o texto apresenta recomendações para o sistema de saúde: financiamento, governança de coordenação federativa, comunicação, formação profissional, participação e controle social. Como conclusão, o documento ressalta que, embora os avanços científicos e tecnológicos tenham alto potencial transformador, sem coordenação sistêmica, financiamento adequado e prioridade política, as inovações poderão ampliar desigualdades. “Por outro lado, com governança qualificada e compromisso público, representarão uma oportunidade histórica de garantia do direito à saúde no Brasil, com a afirmação e incrementação da PNPCC”, defende o autor.
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