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CEE-Fiocruz contribui para debate internacional sobre resiliência no controle do câncer no Brasil



POR Andréa Vilhena

PUBLICADO 18/12/2025

O Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) participou, no dia 4 de dezembro de 2025, no Rio de Janeiro, do workshop “Planejando o Controle do Câncer Resiliente no Brasil”, realizado pela Iniciativa da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC/OMS) para pesquisa em Resiliência no Controle do Câncer (IRCC), em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). O encontro reuniu lideranças nacionais, gestores e pesquisadores para discutir estratégias de fortalecimento da resiliência do controle do câncer frente às crises globais.

Representando a Fiocruz, participou do workshop o pesquisador Alessandro Jatobá, pesquisador do projeto Resiliência em Saúde Pública (ResiliSUS/CEE-Fiocruz) e coordenador adjunto do Centro. Sua contribuição reforçou a interface entre produção de conhecimento estratégico, formulação de políticas públicas e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na capacidade dos sistemas de saúde de responder e se adaptar a choques agudos, provocados, por exemplo, pelas mudanças climáticas e crises sanitárias, assim como aos desafios estruturais do dia a dia.

Dentre os participantes, Heloise Agreli (IRCC/IARC) atuou como coordenadora do evento e como facilitadora, ao lado de Beatriz Jardim (IARC/INCA), apoiando às discussões e oferecendo suporte aos grupos. 

O workshop ofereceu um espaço de reflexão coletiva sobre as lições aprendidas durante a pandemia de COVID-19 e diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas sobre a atenção oncológica. Durante o encontro, foram apresentados e debatidos os achados preliminares do estudo de caso da IRCC Brasil, analisados a partir do Framework de Avaliação de Desempenho dos Sistemas de Saúde (HSPA). Essa abordagem organiza a análise em quatro funções centrais — Governança, Geração de Recursos, Financiamento e Prestação de Serviços — e permite identificar vulnerabilidades, capacidades adaptativas e oportunidades de transformação dos sistemas de saúde.

Segundo Alessandro Jatobá, a discussão sobre resiliência no controle do câncer precisa ir além da resposta a demandas específicas.

“Falar de resiliência é reconhecer que o sistema de saúde enfrenta crises cotidianas, como desigualdades regionais, escassez de recursos e limitações de infraestrutura. Fortalecer a resiliência significa criar capacidades permanentes para que o SUS consiga manter o cuidado oncológico mesmo diante de choques, sem aprofundar iniquidades”

— Alessandro Jatobá

A programação incluiu grupos interativos em formato World Café, nos quais os participantes cocriaram recomendações e ações transformadoras para o contexto brasileiro, considerando critérios de relevância, viabilidade e potencial de impacto. As discussões abordaram desde mecanismos de governança e coordenação intersetorial até estratégias de financiamento e organização dos serviços de atenção ao câncer em situações de crise.

Para Jatobá, a metodologia adotada favoreceu a construção coletiva de propostas alinhadas à realidade do país.

“A troca entre pesquisadores, gestores e representantes de diferentes instituições permitiu articular evidências científicas com a experiência prática do SUS. Esse tipo de diálogo é fundamental para transformar conhecimento em políticas públicas mais robustas e resilientes”

— Alessandro Jatobá

Os resultados do workshop devem subsidiar a formulação de recomendações nacionais alinhadas a marcos estratégicos como a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, o Acordo Pandêmico da OMS e a Declaração Política da 4ª Reunião de Alto Nível da ONU sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis, reforçando a integração do controle do câncer às agendas de preparação e resposta a crises.

A participação do CEE-Fiocruz, por meio do projeto ResiliSUS, reafirma o papel da Fundação na produção de conhecimento estratégico voltado ao fortalecimento do SUS e à construção de sistemas de saúde mais equitativos, sustentáveis e resilientes, capazes de assegurar a continuidade do cuidado em contextos de incerteza e transformação. Além disso, reforça a parceria entre IARC e CEE, estabelecida pelo Grupo de Pesquisa Doenças Crônicas e Tecnologias de Saúde (DCTS) do CEE, liderado pelos pesquisadores José Gomes Temporão e Luiz Antônio Santini.

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