Extinção do 'Mais Médicos' pode causar 50 mil mortes precoces no Brasil, mostra estudo
Estudo liderado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), em colaboração com pesquisadores da Universidade de Stanford e do Imperial College de Londres, aponta que a redução da cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF) com a hipotética extinção do Programa Mais Médicos elevaria as taxas de mortalidade prematura em 8,6% até 2030. Os dados equivalem a quase 50 mil mortes, cujo impacto, segundo documento, seria maior nos municípios mais pobres, além de haver um aumento nas desigualdades ao afetar, principalmente, a população negra (pretos e pardos).
Para os pesquisadores, apesar de realizar uma projeção para o Brasil, o trabalho é um alerta a todos os países de baixa e média renda. “A maior importância dessa pesquisa, como de outras que aplicam microssimulações, é, exatamente, subsidiar os gestores e formuladores de políticas com informações rigorosas sobre os prováveis efeitos futuros de suas decisões”, destaca Luis Eugenio de Souza, pesquisador e coautor do estudo.
O estudo analisou dados de 5.507 municípios brasileiros em uma projeção de 2017 até 2030, data definida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para o cumprimento dos “Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável” em 193 países, incluindo o Brasil e foi publicado em uma das principais revistas médicas do mundo à BMC Medicine, sendo a primeira pesquisa a prever o impacto das medidas de austeridade fiscal na cobertura da Atenção Primária à Saúde (APS) em um país de renda média.
De acordo com a pesquisa, as reduções na cobertura de atenção primária serão responsáveis por muitas mortes evitáveis, principalmente aquelas causadas por doenças infecciosas e deficiências nutricionais em pessoas com até 70 anos. “A Estratégia de Saúde da Família é o principal veículo para alcançar a cobertura universal de saúde no SUS e é um dos maiores programas de Atenção Primária à Saúde do mundo, abrangendo 123 milhões de pessoas. Desde 2013, foi fortalecida por meio do Programa Mais Médicos, com a adesão de profissionais em áreas remotas ou com populações mais vulneráveis”, explica o pesquisador.
Com informações do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA).
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