As pesquisadoras Lígia Giovanella e Maria Helena Mendonça, coordenadoras do projeto integrado Atenção Primária na Rede SUS do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), assinam o editorial do número temático Estratégia Saúde da Família: 30 anos de conquistas e desafios da revista Ciência & Saúde Coletiva (vol. 30, nº 12, dezembro 2025), com os pesquisadores Ana Luiza Vilasbôas, Aylene Bousquat, Anya Pimentel Gomes Fernandes Vieira-Meyer, Luiz Augusto Facchini e Eduardo Augusto Melo. A edição , produzida em parceria entre a Rede de Pesquisa em APS/Abrasco e o Observatório do SUS da ENSP/Fiocruz, reúne análises críticas sobre a trajetória da ESF e seu papel central na organização da Atenção Primária à Saúde no SUS.
Implantada em 1994, a Estratégia Saúde da Família consolidou-se como uma das principais políticas públicas de saúde do país, com impactos comprovados na melhoria das condições de saúde e na redução de iniquidades sociais. No editorial, as autoras destacam os avanços acumulados ao longo de três décadas, sem perder de vista os desafios contemporâneos da APS, como a coordenação do cuidado, a integração em rede e a necessidade de fortalecer uma abordagem territorial, comunitária e orientada para a equidade.
Acesse à íntegra abaixo.
Este número temático, “Estratégia Saúde da Família: 30 anos de conquista e desafios”, é uma edição em parceria da Rede de Pesquisa em APS vinculada à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) com o Observatório do SUS da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz).
Implantada em 1994, inicialmente como programa, a Estratégia Saúde da Família (ESF) significou a incorporação e difusão de uma abordagem abrangente da atenção primária à saúde (APS) no Brasil, numa perspectiva de reorganização do modelo assistencial do próprio Sistema Único de Saúde (SUS). Nestes 30 anos, o contexto internacional, o Brasil e sua população mudaram, fazendo com que a implementação da ESF tenha passado por diferentes fases, desafios, ameaças e superações1.
É inequívoca a certeza da sua contribuição para a saúde dos brasileiros e para o modelo de cuidar em nosso país. Inúmeras são as evidências de seus impactos sobre a melhoria da situação de saúde e a redução de iniquidades sociais.
Suas características de APS de base territorial, orientação comunitária, atenção centrada na família e no cuidado integral, realizada por equipes multiprofissionais com a presença de agentes comunitários de saúde (ACS), e a abrangência de sua cobertura com 55 mil equipes de Saúde da Família e 300 mil ACS, em junho de 2025, fazem da ESF uma experiência ímpar no cenário internacional.
É preciso celebrar os avanços desta estratégia de reorientação da abordagem de APS no SUS, compartilhar sua história e lutas, sem esquecer os imensos desafios enfrentados. Temos um legado a ser comemorado e um futuro de desafios a desvendar com base no que foi aprendido nestes 30 anos de ESF.
Neste contexto, como abertura da publicação, um ensaio crítico analisa e é objeto de debate acerca dos desafios contemporâneos da ESF e da APS no SUS para a coordenação do cuidado e integração à rede. Seguindo o debate, os artigos abarcam a contribuição do modelo brasileiro da ESF para a reforma da APS em países europeus e africanos; revisão acerca dos impactos da estabilidade de altas coberturas da ESF sobre a redução de indicadores de morbimortalidade da população brasileira; mudanças positivas da estrutura das unidades básicas de saúde (UBS) comparando dados censitários entre 2012 e 2024; mudanças no financiamento da ESF ao longo do tempo; escopo atual de práticas da ESF para cursos de vida, doenças crônicas e outros agravos a partir de dados do Censo Nacional de UBS 2024; desafios da integração entre APS e vigilância em saúde; abordagem histórica e crítica da participação comunitária na ESF; os desafios das práticas dos ACS com tensões entre burocracia e atuação comunitária; e as práticas das equipes multiprofissionais que compõem a força de trabalho da ESF.
A seguir, as recentes iniciativas para reconstrução da APS e a retomada de programas pelo Ministério da Saúde são sintetizadas; e uma entrevista com um dos pioneiros da APS de abordagem comunitária, encerram a edição.
O conjunto dos artigos possibilita uma reflexão crítica sobre os desafios da abordagem de APS abrangente, territorial de orientação comunitária da ESF, bem integrada à rede, necessária para o cuidado integral da saúde dos brasileiros e para a redução de iniquidades em saúde.
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