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Saúde mental

Estudo investiga relações entre funções cognitivas, habilidades motoras e desempenho escolar



POR Andréa Vilhena

PUBLICADO 30/09/2026

Para compreender melhor como diferentes aspectos do desenvolvimento infantil se relacionam com o desenvolvimento escolar, entre eles as capacidades cognitivas, linguísticas e motoras, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Fiocruz realizaram um estudo longitudinal com crianças de duas escolas públicas municipais do Rio de Janeiro.

Os resultados da pesquisa reunidos em artigo publicado no Jornal de Pediatria (volume 103, número 1, janeiro de 2027) apontam para a importância de se investigar a aprendizagem infantil considerando a interação entre diferentes dimensões cognitivas e motoras, sem reduzir o desempenho escolar a uma única habilidade. O pesquisador Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN e do CEE-Fiocruz, que integrou esse grupo de pesquisa, é um dos autores do artigo.

A pesquisa acompanhou essas crianças, com idade média de 9,8 anos, no início e no final de um semestre letivo e avaliou memória de trabalho, controle inibitório, coordenação olho-mão, agilidade e características do discurso oral. O desempenho escolar foi analisado a partir das notas em Língua Portuguesa e Matemática.

Os achados reforçam, segundo os pesquisadores, a importância de se considerar conjuntamente capacidades cognitivas e motoras no desenvolvimento e na aprendizagem. A memória de trabalho, que é a capacidade de manter e manipular mentalmente informações, aparece no estudo como a habilidade com relação mais consistente com o desempenho acadêmico, sendo considerada uma preditora significativa do desempenho acadêmico em Português e Matemática.

Entre outros resultados, a pesquisa aponta que a coordenação olho-mão, que envolve a integração de informações visuais com o controle motor das mãos, também apresentou relação com as notas, embora não tenha se mostrado uma preditora independente , quando a análise considerou conjuntamente outras variáveis, como memória de trabalho e idade.

No texto, os autores destacam que “a promoção de intervenções que incorporem atividades motoras pode ser uma estratégia viável para melhorar o desempenho acadêmico. Por outro lado, dificuldades no desenvolvimento motor podem constituir um sinal precoce de possíveis defasagens de aprendizagem”.

No entanto, eles alertam que algumas limitações da pesquisa precisam ser consideradas. Dos 158 participantes inicialmente alocados no grupo de controle do estudo, 83 não puderam ser incluídos na análise, principalmente por ausência de dados. A amostra final foi composta por 75 crianças, provenientes de duas escolas públicas de uma mesma região do Rio de Janeiro. Essas características, de acordo com o artigo, limitaram a possibilidade de generalizar os resultados para outras populações.

Assim os autores sublinham que estudos futuros devem envolver amostras maiores e mais diversificadas e investigar de maneira mais abrangente as funções executivas, incluindo a flexibilidade cognitiva, além de utilizar avaliações mais completas da linguagem e do discurso.

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