Ir para o conteúdo

Home > CEE em Pauta

SUS, Saúde e Cidadania

Leonardo Avritzer e Rômulo Paes de Sousa assinam o artigo Clivagem política, vacinas e redes sociais, no jornal O Globo



POR Daiane Batista

PUBLICADO 24/08/2026

Artigo publicado no jornal O GLOBO, assinado pelos pesquisadores Rômulo Paes de Sousa, coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), e Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), analisa a relação entre vacinação, posicionamento político e diferentes concepções sobre liberdade individual e atuação do Estado.

O texto, intitulado Clivagem política brasileira, vacinas e polarização nas redes sociais, utiliza dados da pesquisa A Cara da Democracia, que, desde 2023, investiga também a percepção dos brasileiros sobre a vacinação de crianças. Os dados apresentados no artigo mostram que, em 2026, aproximadamente 20% dos entrevistados afirmaram que as vacinas fazem mais mal do que bem para as crianças.

Na edição de 2026, o levantamento ampliou a investigação para questões relacionadas à autonomia individual e à atuação do Estado.

A pesquisa investigou ainda a percepção dos entrevistados sobre a autonomia individual nas decisões de vacinação. Entre os que concordaram totalmente com a afirmação de que “a decisão de vacinar deve ser uma decisão individual, sem qualquer interferência ou obrigatoriedade do governo”, 33% se identificaram como de direita, 19% como de esquerda e 25% como de centro.

O artigo retoma, também, a relação entre escolaridade e percepção sobre vacinação, observada em levantamentos anteriores. Os autores destacam que “os respondentes com níveis educacionais mais baixos são mais propensos a aderir a discursos antivacina”. A análise, no entanto, considera também a autodefinição ideológica e a forma de consumo de informações, indicando que a escolaridade não explica isoladamente as diferenças observadas nas percepções sobre vacinação.

Entre os entrevistados com ensino superior incompleto ou completo, os autores identificaram uma forte associação entre a chamada “ideologia antiestado”, concepções sobre ciência e nível educacional. O artigo destaca que esse resultado evidencia a importância de considerar, além da escolaridade, os posicionamentos políticos na análise das percepções sobre vacinação.

Na análise dos resultados, os pesquisadores afirmam que a desconfiança em relação às vacinas “não pode ser explicada apenas como resultado de desinformação ou de menor escolaridade”. Para os autores, ela está associada a uma visão de mundo na qual a autonomia individual se sobrepõe às responsabilidades coletivas e ao papel do Estado na proteção da saúde pública.

Os autores destacam ainda que a polarização política também se manifesta nas atitudes relacionadas à vacinação. Para os pesquisadores, “o desafio das políticas de imunização no Brasil é simultaneamente científico, comunicacional e político”.

Acesse a íntegra do artigo no PDF abaixo.

Compartilhe

Assine nossa newsletter e fique por dentro dos conteúdos do CEE-Fiocruz