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Saúde mental

Artigo examina a qualidade do sono em populações refugiadas


Homem de costas em primeiro plano, com colete da ACNUR, está em uma embarcação de onde vê um barco lotado de homens e mulheres
Foto: ACNUR

POR Eliane Bardanachvili

PUBLICADO 03/08/2026

O neurocientista Sidarta Ribeiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, assina com mais sete autores de diferentes instituições brasileiras, o artigo Insônia e má qualidade do sono em populações refugiadas e solicitantes de asilo: uma revisão sistemática e meta-análise, publicado na revista de acesso aberto Plus One.

O texto aborda os desafios em saúde mental enfrentados por aqueles que passam por deslocamentos forçados – “uma questão global urgente” –, em especial os distúrbios do sono, que representam componente importante, mas pouco reconhecido, da saúde dos refugiados. De acordo com os autores, a prevalência combinada de adversidades no sono foi de 43,2% em adultos e 36,4% em crianças, “indicando a necessidade de integrar avaliações padronizadas do sono nos protocolos de saúde”.

Conforme contabiliza o artigo, até o final de 2025, aproximadamente 117,3 milhões de indivíduos foram deslocados à força em todo o mundo. Isso corresponde a cerca de uma em cada setenta pessoas globalmente. Desse total, 71% residem em países de baixa e média renda. Ao mesmo tempo, aproximadamente 8,4 milhões de solicitantes de asilo aguardavam decisões sobre seus pedidos no período.

Trauma pré-migração, condições específicas durante o deslocamento e estressores pós-migração, como exposição à violência, são alguns fatores que caracterizam a experiência dos refugiados e que têm sido associados a uma pior qualidade do sono, bem como a depressão e ansiedade. “Esses desafios frequentemente ocorrem em paralelo ao acesso limitado à saúde e a outros serviços essenciais. Isso contribui para disparidades persistentes na saúde, mesmo em países anfitriões de alta renda”, analisam.

O artigo destaca que o sono é, hoje, reconhecido como “processo biológico ativo e essencial”, que apoia o funcionamento cognitivo e emocional. E defende que abordar os distúrbios do sono pode representar um caminho importante para melhorar os resultados de saúde mental em populações deslocadas.

Conforme alertam os pesquisadores, avaliar com precisão a saúde mental continua sendo um desafio em populações de refugiados, em especial, quando instrumentos de diagnóstico desenvolvidos em contextos ocidentais são aplicados em grupos culturalmente diversos.

Diante de lacunas e evidências fragmentadas, a revisão sistemática e a meta-análise realizadas fornecem, conforme os autores, “a primeira síntese quantitativa abrangente que examina a qualidade do sono e os desfechos de insônia entre populações de refugiados e solicitantes de asilo, com o objetivo de fornecer uma compreensão global da saúde do sono nessa população vulnerável”.

Acesse o artigo na íntegra (em inglês).

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