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POR CEE – Fiocruz

PUBLICADO 29/07/2026

Publicado no JC Notícias

Em conferência na 78ª Reunião Anual da SBPC, Carlos Gadelha defende um novo padrão de desenvolvimento que coloque a ciência, as necessidades humanas e a sustentabilidade ambiental no centro das decisões econômicas e produtivas

Soberania, desenvolvimento e inclusão, temas centrais da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foram abordados na conferência “Ciência, Soberania Nacional e Direito à Vida”, apresentada por Carlos Gadelha, coordenador da Rede de Pesquisa em Desenvolvimento, Complexo Econômico-Industrial da Saúde e Inovação (Rede CEIS) e líder do Grupo de Pesquisa Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GPCEIS/CEE-Ensp/Fiocruz).

Durante a conferência, Gadelha defendeu a necessidade de inverter a lógica dominante, colocando o ser humano e o planeta no centro das prioridades econômicas. O desafio, segundo ele, é transformar o bem-estar em vetor de um novo padrão nacional de desenvolvimento sustentável.

“Queremos construir um novo projeto nacional, no qual a ciência, a tecnologia e a inovação sejam parte essencial do compromisso com a vida, a soberania e o planeta.”

A discussão adquire especial relevância diante do aprofundamento das desigualdades em escala mundial. Atualmente, as 12 pessoas mais ricas do planeta concentram mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade, formada por cerca de quatro bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, aproximadamente 3,7 bilhões de pessoas vivem em situação de pobreza e mais de 700 milhões enfrentam a fome.

Para Gadelha, esse cenário exige que o Brasil debata de forma integrada temas estratégicos como a reindustrialização, as transformações digital e ecológica e o fortalecimento da capacidade nacional de ciência, tecnologia e inovação. Nesse contexto, a saúde deve ocupar posição central na construção de um projeto de desenvolvimento capaz de articular dinamismo econômico, soberania nacional e garantia de direitos sociais e ambientais.

A experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) demonstra a possibilidade de enfrentar desigualdades, promover inclusão social e incorporar a sustentabilidade ambiental como dimensão estratégica da produção e da inovação. A perspectiva apresentada contrapõe-se às visões que tratam os direitos sociais apenas como custos que não cabem no Produto Interno Bruto (PIB).

Ao contrário, as áreas sociais e ambientais podem constituir motores de um novo padrão de desenvolvimento. A saúde, por exemplo, é uma das atividades que mais geram empregos no Brasil, empregando diretamente mais de 10 milhões de trabalhadores qualificados. A ampliação do acesso à saúde também está associada ao fortalecimento de uma base produtiva, científica e tecnológica capaz de contribuir para que o país participe de forma soberana da quarta revolução tecnológica.

Nessa perspectiva, Gadelha propôs ampliar o conceito de Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) para o de Complexo do Bem-Estar, incorporando áreas como educação e cultura. Em conjunto com a saúde e as atividades de ciência, tecnologia e inovação, essa economia do bem-estar representa mais de 20% do PIB brasileiro.

Para Gadelha, essa dimensão econômica e social permite transformar lacunas históricas do desenvolvimento nacional em oportunidades para a construção de um novo projeto de país, alinhado aos desafios contemporâneos e comprometido com uma sociedade mais justa, inclusiva, sustentável e soberana.

A proposta é orientar as atividades de ciência, tecnologia e inovação para o atendimento das necessidades sociais e para a defesa da vida – das pessoas e do planeta.

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