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SUS, Saúde e Cidadania

Artigo de pesquisadores do CEE-Fiocruz destaca a importância de um planejamento estratégico na escolha das prioridades para a área da saúde



POR CEE – Fiocruz

PUBLICADO 05/11/2026

Publicado no site The Conversation Brasil, artigo dos pesquisadores do Centro de Estudos Estratégicos Antonio Ivo de Carvalho (CEE-Fiocruz) Carlos Gadelha de Manoel Barral, e da diretora científica do CNPq, Monica Felts de La Roca Soares, defende a retomada do planejamento estratégico de longo prazo para a saúde brasileira, com horizonte até 2050, articulando investimentos em ciência, tecnologia e inovação às necessidades do SUS. Eles propõem critérios para definir prioridades de pesquisa a cada ciclo de governo, fortalecer a produção nacional de vacinas, medicamentos e tecnologias e reduzir a dependência externa, destacando a soberania sanitária como condição para garantir o acesso universal à saúde.

O texto ressalta que, segundo projeções do IBGE, a população deixará de crescer em 2041 e, em meados do século, cerca de 65 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais, representando quase um terço da população. Diante desse cenário, os autores argumentam que “um planejamento de longo prazo deve fixar poucas metas direcionais. Entre as quais, reduzir desigualdades, ganhar autonomia produtiva e tecnológica, ampliar a capacidade de resposta a emergências”.

Para os autores, a participação social é elemento central para orientar as prioridades em saúde. A 18ª Conferência Nacional de Saúde, que ocorrerá em 2027, é destacada como instância decisiva para o avanço em temas contemporâneos, como soberania nacional, transformação digital, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.


O artigo também salienta a necessidade de retomada da Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, ausente desde 2004, para atualizar as agendas de pesquisa e inovação de forma democrática e alinhada aos novos desafios. O conhecimento científico é realçado como base indispensável para a organização dos sistemas de saúde e para a disponibilização de tecnologias destinadas à prevenção, à promoção e à assistência.

No texto, são apontados como critérios iniciais para o estabelecimento de prioridades aos ciclos quadrienais a carga de doença e a vulnerabilidade sanitária, considerando-se tanto a capacidade de autonomia quanto as intervenções disponíveis. Pesquisa, desenvolvimento, inovação, implementação e gestão dos serviços devem ser orientados para os desafios concretos do acesso equânime e universal. “O que defendemos é o método. Escolher pelo peso e pela possibilidade de mudança, diagnosticar o que falta antes de investir, medir apenas o que se sabe medir. E repetir esse exercício a cada ciclo até 2050”, defendem os autores.

Outro ponto enfatizado é o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), considerado fundamental para reduzir a vulnerabilidade externa e ampliar a soberania sanitária do país. O objetivo é garantir capacitação nacional em áreas estratégicas, como vacinas, biológicos, diagnósticos, dispositivos médicos e tecnologias digitais, permitindo que o Brasil chegue a 2050 não apenas como consumidor, mas como produtor e desenvolvedor de soluções para a saúde.

O texto amplia a percepção sobre a saúde e o SUS, apontando-os como espaços estratégicos de desenvolvimento para que o Brasil seja um país soberano, capaz de garantir o direito à saúde para a sua população com base no conhecimento e na inovação.

Acesse o artigo na íntegra em aqui

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