Seis anos após o alarme global da Covid-19: o mundo está mais bem preparado para a próxima pandemia? – CEE Fiocruz Ir para o conteúdo

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Covid-19 e Doenças emergentes

Seis anos após o alarme global da Covid-19: o mundo está mais bem preparado para a próxima pandemia?



POR CEE – Fiocruz

PUBLICADO 10/02/2026

Do site da OMS*

Há seis anos, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, soou o alarme global mais alto disponível sob o direito internacional na época, declarando o surto de uma nova doença causada por coronavírus (posteriormente conhecida como Covid-19) uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII). Embora a ESPII tenha sido declarada encerrada em maio de 2023, o impacto da Covid-19 permanece gravado em nossa memória coletiva – e continua a ser sentido em todo o mundo.

Ao ultrapassarmos a marca dos seis anos, a OMS pergunta aos países e parceiros: o mundo está mais bem preparado para a próxima pandemia?

A resposta é sim e não.

Sim, em muitos aspectos, o mundo está mais bem preparado porque medidas concretas e significativas foram tomadas para fortalecer a preparação.

No entanto, ao mesmo tempo, não, porque o progresso alcançado é frágil e desigual, e ainda há muito a ser feito para manter a humanidade em segurança.

Progresso desde a Covid-19

“A pandemia nos ensinou muitas lições – especialmente que as ameaças globais exigem uma resposta global”, disse o diretor-geral da OMS, na abertura da 158ª sessão do Conselho Executivo. “A solidariedade é a melhor imunidade”.

Aplicando as lições aprendidas com a Covid-19, a OMS, os Estados-Membros e os parceiros alcançaram avanços significativos na preparação, prevenção e resposta a pandemias, incluindo:

• O histórico Acordo sobre Pandemias da OMS foi adotado em maio de 2025, estabelecendo uma abordagem verdadeiramente abrangente para a prevenção, preparação e resposta a pandemias, que melhora tanto a segurança sanitária global quanto a equidade em saúde global. Sua conclusão demonstrou a força do multilateralismo. Os Estados-Membros estão agora negociando o anexo do Sistema de Acesso a Patógenos e Repartição de Benefícios (Pabs) ao Acordo sobre Pandemias da OMS, antes da Assembleia Mundial da Saúde deste ano. Sua adoção abriria o Acordo sobre Pandemias para assinatura e entrada em vigor como lei internacional.

• As alterações ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI) para reforçar as capacidades nacionais entraram em vigor em setembro de 2025 ;

• O Fundo para a Pandemia , cofundado e implementado pela OMS e pelo Banco Mundial, concedeu financiamento de mais de US$ 1,2 bilhão em suas três primeiras rodadas, o que ajudou a catalisar mais US$ 11 bilhões que, até o momento, apoiaram 67 projetos em 98 países em seis regiões, para expandir a vigilância, as redes de laboratórios, o treinamento da força de trabalho e a coordenação multissetorial;

• O Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da OMS lançou uma grande atualização do sistema de Inteligência Epidemiológica de Fontes Abertas (Eios), utilizando IA para apoiar mais de 110 países na identificação e reação mais rápida a novas ameaças;

• As capacidades de sequenciamento genômico aumentaram significativamente em todo o mundo nos últimos anos e, por meio da Rede Internacional de Vigilância de Patógenos, mais de 110 países fortaleceram a vigilância genômica para rastrear patógenos com potencial epidêmico e pandêmico e acelerar as ações de preparação e resposta;

• O BioHub da OMS expandiu-se como um mecanismo global confiável, apoiado por trinta países e territórios, coordenando 25 envios de amostras para 13 laboratórios . Desde o seu lançamento no final de 2020, o BioHub adquiriu 34 variantes dos seguintes vírus: Sars-CoV-2; clados Ia, Ib e IIb do vírus mpox; o vírus Oropouche; e Mers-CoV. Quase 80 laboratórios de trinta países em todas as regiões da OMS participaram do sistema, compartilhando e solicitando materiais biológicos.

• Os esforços globais para expandir o desenvolvimento e a produção local e equitativa de vacinas, diagnósticos e tratamentos foram acelerados por meio de iniciativas como o centro de transferência de tecnologia de mRNA, na Cidade do Cabo , seu centro de treinamento, em Seul, e a Rede Interina de Contramedidas Médicas ;

• A Academia da OMS na França ajudará a fortalecer as capacidades dos países em relação à preparação para pandemias, inclusive por meio de treinamentos de simulação;

• O Centro Global de Treinamento em Biofabricação, estabelecido pela República da Coreia e pela OMS, está impulsionando a capacitação da força de trabalho na fabricação de vacinas e produtos biológicos de alta qualidade. Ao oferecer treinamento nessa área crucial, o objetivo é aumentar o acesso equitativo a esses produtos em todo o mundo, por meio da expansão da capacidade de produção em países de baixa e média renda.

• O Corpo Global de Emergências de Saúde foi criado pela OMS, em 2023, em resposta às lacunas e desafios identificados durante a resposta à Covid-19. O Corpo apoia os países que enfrentam emergências de saúde pública, avaliando a capacidade da força de trabalho de emergência, mobilizando rapidamente apoio adicional e criando uma rede de líderes de emergência de vários países para compartilhar as melhores práticas e coordenar as respostas;

• A Revisão Universal de Saúde e Preparação (UHPR, na sigla em inglês) continua a ajudar os países a identificar lacunas e a reforçar a responsabilização.

Outros trabalhos, que antecederam a pandemia, continuam a fortalecer a preparação, a prevenção e a resposta a pandemias:

• Cento e vinte e um países agora possuem agências nacionais de saúde pública, responsáveis por seus esforços de prevenção, preparação, resposta e resiliência a emergências de saúde;

• Vinte países concluíram Avaliações Externas Conjuntas; 195 Estados-Partes apresentaram relatórios anuais sobre o RSI; 22 países finalizaram Planos de Ação Nacionais para a Segurança Sanitária;

• O Sistema Global de Vigilância e Resposta à Gripe (GISRS) processa anualmente mais de 12 milhões de amostras em todo o mundo para caracterização da gripe, atualização de vacinas contra a gripe sazonal e recomendação de vírus da gripe aviária para produção entre pandemias;

• No âmbito do Quadro de Preparação para Pandemias de Gripe (PIP, na sigla em inglês), a OMS assinou oito novos acordos em 2025, elevando o total para 19 contratos com fabricantes de produtos para pandemias. Esses acordos garantiram o acesso a antivirais, diagnósticos, seringas e mais de 900 milhões de doses de vacinas para futuras pandemias de gripe. 

Essas são conquistas notáveis, que refletem um compromisso global compartilhado de trabalhar em conjunto, ultrapassando fronteiras nacionais e abrangendo diversos setores, para nunca mais enfrentar uma pandemia despreparados e deixar ninguém para trás.

Os Estados-Membros da OMS tomaram decisões que fortaleceram a capacidade mundial não só de responder mais rapidamente e mitigar o impacto de futuras pandemias, mas também de as prevenir em primeiro lugar.

As respostas recentes aos surtos de Ebola e Marburg demonstram claramente esse progresso em nível nacional, com o apoio da OMS. O Ebola, doença que antes não tinha vacinas, diagnósticos rápidos e opções de tratamento limitadas – levando a perdas catastróficas de vidas na África Ocidental há dez anos – foi transformado desde então. Os surtos mais recentes de Ebola na República Democrática do Congo e de Marburg, em Ruanda, Tanzânia e Etiópia,foram contidos em muito menos tempo, com disseminação limitada e taxas de letalidade mais baixas. As respostas a esses surtos foram lideradas por instituições nacionais, com o apoio da OMS.

Mas esses ganhos são frágeis.

Os últimos anos trouxeram profundas turbulências para a saúde global. O financiamento continua a ser desviado da saúde para a defesa e a segurança nacional, colocando em risco os próprios sistemas que foram fortalecidos durante a COVID-19 para proteger os países de futuras pandemias.

Isso é uma visão míope. Pandemias são ameaças à segurança nacional.

Investir em preparação é investir em:

• vidas salvas

• economias protegidas

• sociedades estabilizadas.

Um apelo à ação

A OMS insta todos os governos, parceiros e partes interessadas: não negligenciem a preparação e a prevenção de pandemias.

A reunião do Conselho Executivo da OMS é um momento crucial nessa jornada, na medida em que os governos definem o rumo para o futuro da colaboração, da responsabilidade e da eficiência na definição de quem faz o quê na saúde global.

Os patógenos não respeitam fronteiras. Nenhum país consegue prevenir ou controlar uma pandemia sozinho.

A segurança sanitária global exige colaboração entre setores, governos e regiões.

A OMS mantém o compromisso de trabalhar com todos os países para fortalecer a preparação, acelerar a inovação e defender a solidariedade. Continuaremos apoiando os Estados-Membros em seus esforços históricos para forjar um pacto global por um mundo mais seguro contra pandemias.

Estar preparado exige vigilância constante. O momento de se preparar é agora – antes que a próxima pandemia aconteça.

* Publicado no site da OMS, em 2/2/2026.

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