O coordenador da rede e do grupo de pesquisa Desenvolvimento Sustentável, CT&I e Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GPCEIS/CEE-Ensp/Fiocruz), Carlos Gadelha, e a coordenadora-adjunta do projeto, Juliana Moreira, foram premiados pela Unicamp e pela Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed) em parceria com Cofecon, Corecon-RJ e Corecon-DF, respectivamente.
Carlos Gadelha foi laureado no dia 15/12 com o Prêmio Egresso Destaque Unicamp 2025. A premiação foi concedida pela Universidade Estadual de Campinas, onde Gadelha concluiu o seu mestrado, intitulado Biotecnologia em Saúde: um Estudo da Mudança Tecnológica na Indústria Farmacêutica e das Perspectivas de seu Desenvolvimento no Brasil.
O prêmio é voltado ao reconhecimento de ex-alunos de graduação e pós-graduação que se destacaram em suas áreas de atuação profissional. O objetivo da homenagem é valorizar trajetórias inspiradoras de egressos que contribuíram com avanços acadêmicos, científicos, tecnológicos, sociais ou profissionais para a sociedade.
O Instituto de Economia da Unicamp é celeiro de ícones que deixaram um grande legado para a economia política, como: Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Luiz Gonzaga Belluzzo, João Manuel Cardoso de Mello e Luciano Coutinho.
Bebendo na fonte de Celso Furtado, que se destaca pelos valores e visão de desenvolvimento nacional, Gadelha defende a orientação da economia para os objetivos do bem-estar e da sustentabilidade ambiental, articulando inovação e transformação produtiva às demandas do Sistema único de Saúde (SUS) e da sociedade.
Durante a cerimônia, Gadelha ressaltou que o prêmio é um reconhecimento coletivo: “É o resultado de um trabalho que só poderia ser desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz, onde houve uma convergência da tradição da economia política do desenvolvimento com a visão de saúde coletiva, concedendo a economia e a inovação em favor do SUS, da vida e do desenvolvimento sustentável”. Juliana Moreira, coordenadora-adjunta do GPCEIS/CEE-Ensp/Fiocruz, recebeu o primeiro lugar na categoria Tese de Doutorado do Prêmio Nelson Le Cocq de Teses e Dissertações 2025. A premiação, promovida pela Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed) em parceria com Conselho Federal de Economia e pelos conselhos regionais de Economia do Rio de Janeiro e do Distrito Federal foi realizada no auditório do Corecon-RJ, no dia 16 /12.
A tese vencedora, intitulada Subdesenvolvimento e política social: contradições do ciclo de ‘crescimento econômico com inclusão social’ e limites estruturais para a democratização do acesso à saúde no Brasil, analisa de forma crítica o SUS e seus desafios para garantir inclusão e equidade.
O orientador da pesquisa, professor Márcio Pochmann, ressaltou a relevância e a atualidade do trabalho, destacando sua contribuição para uma agenda comprometida com democracia, soberania, redução das desigualdades e desenvolvimento nacional. Para ele, a tese representa uma produção científica sólida, capaz de fortalecer debates estratégicos sobre políticas sociais e econômicas no Brasil. Pochmann enfatizou a importância da ampla divulgação do estudo, por seu potencial de influenciar políticas públicas voltadas à transformação social.
Juliana traz a saúde para o centro do debate e defende que direitos sociais podem e devem ser a base de um novo projeto para o Brasil. Para ela, fortalecer o SUS e o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) é essencial para construir um país dinâmico, inovador e inclusivo.
Carlos Gadelha valorizou o “pensamento progressista ousado, capaz de avançar nas reformas estruturais de que o Brasil tanto precisa”. Conforme pontuou, desde a criação do SUS, patrimônio da população brasileira, ficou evidente a urgência de uma agenda de transformações que promova equidade e fortaleça a base científica e tecnológica, garantindo a sustentabilidade do sistema. “Essa tese da Juliana nasce com esse propósito: estruturar e representar a ousadia de um pensamento progressista”, sintetizou.