Em artigo publicado no Estado de S. Paulo (21/12/2025), intitulado Medicina: o futuro já chegou?, o pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão propõe uma reflexão crítica sobre os rumos da medicina em um contexto de acelerada incorporação tecnológica. Inteligência artificial, biotecnologia, robótica e novos materiais já transformam diagnósticos, terapias e a organização do cuidado, deslocando a prática médica para ambientes cada vez mais conectados, preditivos e mediados por dados.
O autor destaca, no entanto, que o avanço tecnológico não substitui o julgamento clínico, a responsabilidade profissional nem a relação terapêutica. Ao contrário, o desafio central está em definir que tipo de medicina se deseja construir: se mais humana, equitativa e efetiva — algo que dependerá diretamente das escolhas feitas hoje na formação dos profissionais, na regulação das inovações e na organização dos sistemas de saúde.
Ao dialogar com referências contemporâneas da medicina e com princípios éticos clássicos, o artigo reforça que nenhuma tecnologia pode substituir o encontro singular entre profissional de saúde e paciente. Para Temporão, colocar a tecnologia a serviço do cuidado, e não o inverso, é condição essencial para que o futuro da medicina contribua para o fortalecimento do SUS e para a construção de uma sociedade mais justa.
Link para o artigo completo:
https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/medicina-o-futuro-ja-chegou/