Brasileiros atingem maior índice de obesidade nos últimos treze anos

Brasileiros atingem maior índice de obesidade nos últimos treze anos

Já leu

O número de obesos no país aumentou 67,8%, entre 2006 e 2018, aponta a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, divulgada em 25/7/2019. Nos últimos treze anos, o índice passou de 11,8% (em 2006) para 19,8% (em 2018). O Brasil vinha apresentando taxas estáveis da doença desde 2015, mantendo a prevalência de obesidade em 18,9%.

O Vigitel é uma pesquisa realizada por telefone com maiores de 18 anos, nas 26 capitais e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde. Entre fevereiro e dezembro de 2018, foram entrevistadas 52.395 pessoas.

Os dados também apontaram que o crescimento da obesidade, em 2018, foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos e 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. Apesar de o excesso de peso ser mais comum entre os homens, as mulheres apresentaram obesidade ligeiramente maior, com 20,7%, em relação aos homens,18,7%.

O Vigitel registrou, ainda, crescimento de excesso de peso entre a população brasileira. No Brasil, mais da metade da população, 55,7% tem excesso de peso. Um aumento de 30,8% quando comparado com percentual de 42,6% no ano de 2006. O aumento da prevalência foi maior entre as faixas etárias de 18 a 24 anos, com 55,7%. Quando verificado o sexo, os homens apresentam crescimento de 21,7% e as mulheres 40%.

Para avaliar a obesidade e o excesso de peso, a pesquisa leva em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC). Por meio dele, é possível classificar um indivíduo em relação ao seu próprio peso, bem como saber de complicações metabólicas e outros riscos para a saúde.

Acesse a íntegra da pesquisa Vigitel

Na contramão do aumento dos percentuais de obesidade e excesso de peso, o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 15,5% entre 2008 e 2018, passando de 20% para 23,1%. A prática de atividade física no tempo livre também aumentou 25,7% (2009 a 2018), enquanto o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 53,4% (de 2007 a 2018), entre os adultos das capitais. Além disso, ao informar que receberam o diagnóstico médico de diabetes (40%), os entrevistados demonstraram ter maior conhecimento sobre sua saúde, o que os motivou a buscar os serviços de saúde, na Atenção Primária, receber o diagnóstico e iniciar o tratamento.

"Nós temos um aumento maior da obesidade em decorrência do consumo muito elevado de alimentos ultraprocessados, de alto teor de gordura e açúcar. Então, o incentivo ao consumo de hortaliça entre as crianças e os adultos é fundamental. Está acontecendo uma mudança de comportamento, de paradigma importante no Brasil. E também, compete a nós, a gestão, ampliarmos o incentivo ao consumo de alimentos mais saudáveis e também promover a economia local, com o consumo de hortaliças.  Quanto mais próximo de casa eu compro o alimento, mais saudável ele é, e mais fresco eu vou consumi-lo", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

A prática de alguma atividade física no tempo livre, pelo menos 150 minutos na semana, aumentou 25,7% (de 2009 a 2018), saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018. A prática se dá mais entre os homens (45,4%) do que entre as mulheres (31,8%), com aumento mais expressivo na população de 35 a 44 anos (um crescimento de 40,6%, nos últimos dez anos). Em relação à inatividade física entre os brasileiros, a pesquisa apontou queda de 13,8%, em relação a 2009. O percentual de inatividade entre as mulheres foi 14,2% e entre os homens de 13%.

Uma mudança significativa entre os hábitos alimentares dos brasileiros é o aumento de 15,5% no consumo recomendado de frutas e hortaliças pela Organização Mundial da Saúde (cinco porções diárias pelo menos cinco vezes na semana) em comparação com 2008. Em 2018, o percentual do consumo chegou a 23,1%, em comparação com os 20% de 2008. A pesquisa Vigitel apontou ainda que o consumo é mais frequente entre as mulheres (27,2%) do que entre os homens (18,4%). Apesar do crescimento, apenas 23,1% dos brasileiros - um em cada quatro adultos – consomem o recomendado.

O Guia Alimentar para a População Brasileira é o principal orientador das ações de promoção da alimentação adequada e saudável e traz recomendações para promover a saúde e evitar enfermidades. As informações também são úteis para a prevenção e controle de doenças específicas, como a obesidade, a hipertensão e o diabetes.

Outra importante mudança é a redução de 53,4% do consumo regular de refrigerante e suco artificial entre os adultos. A diminuição foi identificada, entre 2007 a 2018, em todas as faixas-etárias e em ambos os sexos. Os dados, apontam queda mais expressiva na população de 55 a 64 anos, de 58,8%. A pesquisa aponta ainda que o consumo dessas bebidas é maior entre os homens (17,7%) do que entre as mulheres (11,6%).

Acesse a apresentação com os principais resultados do Vigitel

Em novembro de 2018, o Ministério da Saúde fechou acordo estabelecendo metas de redução do açúcar em produtos industrializados, como, bebidas adoçadas, biscoitos, bolos e misturas para bolos, produtos lácteos e achocolatados. O acordo deve resultar na redução dos teores em mais de 50% dos produtos destas categorias. Segundo estimativas das indústrias, serão reduzidas 144 mil toneladas de açúcar nos produtos até 2022.

(Com informações do site do Ministério da Saúde, reportagem de Alexandre Penido, da Agência Saúde)