Cofecon e Fiocruz debatem o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde como saída estruturante da crise

Cofecon e Fiocruz debatem o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde como saída estruturante da crise

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Assista abaixo à íntegra do debate, realizado em 26/04/2021.

 

Sobre o evento


Do Cofecom

O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antonio Corrêa de Lacerda, conversará com pesquisadores da Fiocruz, UFRJ e Unicamp para debater a conjuntura econômica brasileira e as perspectivas de um novo desenvolvimento ancorado no fortalecimento da área da saúde. O evento Covid-19: Complexo Econômico-Industrial da Saúde como saída estruturante da crise será transmitido ao vivo pelo canal do Cofecon no YouTube, https://www.youtube.com/watch?v=xEp9JrT-rqs, segunda-feira (26/04), às 17h.

Recentemente lançado pela Fundação Oswaldo Cruz, o estudo Desenvolvimento, saúde e mudança estrutural: o Complexo Econômico-Industrial da Saúde 4.0 no contexto da COVID-19, coordenado pelo economista da Fiocruz Carlos Grabois Gadelha, é fruto do trabalho de 35 pesquisadores de dez instituições científicas brasileiras de excelência e contou com a parceria do Centro Internacional Celso Furtado. Gadelha participará da live, bem como os especialistas José Cassiolato, coordenador RedeSist/IE/UFRJ e Denis Gimenez, diretor do CESIT/IE/Unicamp.

O Estudo: Fortalecimento do SUS e Desenvolvimento Sustentável
A partir de um olhar sistêmico, centrado na dinâmica do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), o estudo apresenta a saúde como vetor de desenvolvimento para o país e destaca o seu elevado dinamismo social, econômico, produtivo e tecnológico, que gera 20 milhões de empregos diretos e indiretos e movimenta um terço do esforço de pesquisa do país. Além disso, a pesquisa aponta a saúde como uma das áreas mais inovadoras e porta de entrada do Brasil na Quarta Revolução Tecnológica, propondo políticas públicas, que aliem o fortalecimento do SUS com a promoção do desenvolvimento social, econômico e ambiental do país, a partir da solução de desafios estruturais revelados pela atual pandemia.

Os artigos do estudo apresentam informações e saídas para a crise por meio de um projeto nacional de desenvolvimento que une a visão desenvolvimentista da tradição do economista Celso Furtado com o pensamento social e sanitário da Fiocruz, ao agregar a ação de economia política com a ação social – marca da instituição.

Para o presidente do Cofecon, a pandemia escancarou problemas estruturais que a economia brasileira possui – emtre eles, a dependência externa. “A ausência de um projeto de nação que contemple uma abordagem ampla de desenvolvimento está distante há um bom tempo. Num momento de crise, como é o caso da atual pandemia, isso fica mais evidente. Destruímos nossa capacidade de industrialização e isso faz muita falta. Mesmo diante da ociosidade no setor industrial brasileiro, houve a necessidade de uma reconversão produtiva para ampliação da oferta de equipamentos médicos e dos itens de proteção individual da população. Ainda assim, a dependência persiste. Com isso, o atendimento aos mais vulneráveis, que, segundo pesquisas recentes, estão morrendo em maior número, fica ainda mais comprometido”, aponta Antonio Corrêa de Lacerda.  

Gadelha aponta saúde, ciência e tecnologia como investimentos essenciais para uma saída estrutural e de longo prazo da crise provocada pela Covid-19. “O fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no âmbito da Quarta Revolução Tecnológica, já em curso é um chamamento para fazermos uma articulação virtuosa entre economia, sociedade e qualidade de vida, a favor da soberania em saúde do Brasil”. Além disso, o coordenador ressalta que “o padrão de crescimento descolado das áreas sociais é que leva à dicotomia entre bem-estar e desenvolvimento, um falso dilema que precisa ser superado para que as demandas sociais possam ser compreendidas como uma valiosa oportunidade para adotar um modelo de sociedade solidário, inclusivo, dinâmico e sustentável”. Para o economista, o SUS pode se firmar como um poderoso polo de modernização.

Saúde, Desigualdades e Ciência
O estudo revela, entre outras evidências, como as assimetrias e desigualdades de conhecimento em ciência, tecnologia e informação (CT&I) em saúde afetam o país. O trabalho mostra que apenas cem empresas em todo o mundo concentram 60% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento, sendo dois terços desses investimentos feitos em apenas três setores: informática, farmacêutico e automotivo. Cerca de 60% das patentes em biotecnologia para o tratamento de câncer e outras doenças crônicas são detidas por apenas quinze empresas globais.

“A saúde é o setor que responde pela maior participação no déficit comercial de alta tecnologia do país, próximo a US$ 15 bilhões ao ano”, observa Gadelha, acrescentando que essa situação põe em risco a capacidade de garantir a oferta dos serviços de saúde, conforme expôs a pandemia. A saúde representa cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

 “A escolha por um projeto ultraliberal não atende às necessidades da indústria 4.0, da tecnologia 5G e das cadeias globais de valor. Há um conjunto muito grande de desafios que requerem muito mais do que uma visão simplesmente liberal”, argumenta o presidente do Cofecon. “Não se conhece precedente de um país que tenha atingido um grau de desenvolvimento sem uma indústria forte, sem a preocupação com o crescimento sustentável e inclusivo, e sem combate às desigualdades. Nesse sentido, o Estado surgiu novamente como o único em condições de adotar um conjunto de medidas para o enfrentamento de tamanha adversidade”.

Gadelha finaliza afirmando que “é preciso repensar a arquitetura institucional das finanças públicas para dar sustentação ao estado de bem-estar do século 21, com uma agenda de mudanças estruturais que abranja regras fiscais, orçamentárias, de financiamento do SUS e de aquisição de produtos estratégicos, de forma a fortalecer o sistema de saúde, reduzir desigualdades em seu acesso e induzir a organização do Ceis, em sintonia com o direito à vida e as mudanças tecnológicas em curso”.

O estudo está publicado na edição de janeiro-abril da Revista Cadernos do Desenvolvimento, do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento e pode ser acessado aqui

Acesse a transmissão do debate pelo Youtube do Cofecon Dia 26/4, às 17h