Violência como determinante social da saúde nas cidades brasileiras

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Violência e Saúde

Violência como determinante social da saúde nas cidades brasileiras


Foto Agência Brasil

POR CEE – Fiocruz

PUBLICADO 29/01/2026

Em artigo na Folha de S.Paulo de 28/01/2016, o médico sanitarista, pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, analisa os efeitos profundos e persistentes da violência urbana sobre a saúde da população, destacando o estresse crônico como uma das principais consequências da exposição contínua a ameaças reais e simbólicas nos territórios marcados por conflitos armados.

Segundo o autor, a violência cotidiana vivenciada em muitas cidades brasileiras ultrapassa os danos imediatos dos confrontos e se traduz em um adoecimento silencioso, que afeta o corpo e a mente ao longo do tempo. A convivência permanente com o medo — expressa no som de tiros, nas operações policiais frequentes e na sensação de risco iminente — provoca alterações neuroendócrinas, inflamatórias e imunológicas, associadas ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, infarto, AVC, diabetes, depressão e ansiedade. Crianças expostas precocemente a esse ambiente são ainda mais vulneráveis, com prejuízos à memória, à aprendizagem e à regulação emocional.

O artigo também chama atenção para formas menos visíveis de violência, como o estigma territorial, o tratamento truculento por parte do Estado e a interrupção de serviços essenciais durante operações de segurança, o que agrava desigualdades e compromete o acesso à saúde. Para Temporão, enfrentar esse cenário exige reconhecer a violência como determinante social da saúde e incorporar seus impactos no planejamento das políticas públicas. “Planejar políticas de segurança sem considerar o impacto sobre a saúde das populações é condenar milhões de brasileiros a uma vida mais curta e mais doente”, afirma o pesquisador.

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