14° Abrascão: pesquisadoras do CEE-Fiocruz debatem Censo das UBS, condições de trabalho no SUS e atuação dos agentes comunitários

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14° Abrascão: pesquisadoras do CEE-Fiocruz debatem Censo das UBS, condições de trabalho no SUS e atuação dos agentes comunitários



POR CEE – Fiocruz

PUBLICADO 08/12/2025

Em diferentes mesas temáticas do Abrascão 2025, pesquisadoras do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) apresentaram reflexões e resultados de pesquisas. Os debates abordaram desde os dados do Censo Nacional das UBS, passando pelas condições de trabalho no SUS, até as práticas de agentes comunitários de saúde nas unidades básicas em todo o país. 

A pesquisadora Ligia Giovanella, coordenadora do projeto de pesquisa sobre Atenção Primária à Saúde (APS), do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz Antonio Ivo de Carvalho, conduziu a mesa-redonda Resultados do Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, dedicada a debater desafios e proposições para ampliar o acesso equitativo e a qualidade dos serviços na APS. Participaram da mesa Luiz Augusto Facchini, da Rede APS e da Universidade Federal de Pelotas; Rosana Aquino, da Rede APS e do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA; e Dirceu Klityke, da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde.

Segundo avaliou Ligia, o Censo Nacional das UBS, que mobilizou o país e abrangeu a totalidade das unidades ativas em 2024, representou “mais um marco na avaliação da APS no Brasil”. Ela explicou que a elaboração do instrumento de coleta de dados foi orientada pela abordagem abrangente de APS que fundamenta a Estratégia Saúde da Família. A pesquisadora ressaltou ainda a integração entre gestores e pesquisadores, fundamental para garantir a efetividade das etapas de planejamento, coleta e processamento dos dados, além da validação técnica e analítica dos resultados.

Na mesa Educação e trabalho: desafios e perspectivas da gestão no SUS, a pesquisadora Maria Helena Machado apresentou reflexões sobre o mundo do trabalho e suas transformações, com base nas pesquisas do projeto Mundo do Trabalho e Saúde, desenvolvido no CEE-Fiocruz e na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).

Os estudos investigam as condições de saúde de trabalhadores invisíveis, como maqueiros, motoristas de ambulância e equipes de limpeza, e também, dos profissionais de saúde, entre eles médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

“As pesquisas mostram a realidade de precarização do trabalho, em especial dos primeiros, as dificuldades desses trabalhadores de ter um vínculo mais duradouro e de boa qualidade”, afirmou Maria Helena, destacando os baixos salários e a presença de comorbidades. Ela também mencionou os impactos da pandemia de Covid-19, como a Covid longa, reforçando a necessidade de políticas para minimizar a precariedade: “Não só precariedade de salário, mas das condições de infraestrutura e de acesso”.

Ao questionar “O que estamos chamando de carreira no SUS?”, Maria Helena convocou gestores e trabalhadores à participação na Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), fórum de diálogo entre o Governo Federal e os servidores públicos civis para discussões sobre reajustes, benefícios e condições de trabalho. Ela lembrou que o país conta com mais de quatro milhões e meio de trabalhadores da saúde, reforçando a urgência do debate.

Entre as comunicações orais do evento, a pesquisadora Maria Helena Mendonça, que coordena com Ligia Giovanella o projeto sobre Atenção Primária à Saúde no CEE, apresentou o tema Práticas de agentes comunitários de saúde nas UBSs do país, ampliando a reflexão sobre o papel estratégico desses profissionais no fortalecimento da APS.

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